Como foi construída a Arena Corinthians em Itaquera?
A Arena Corinthians foi construída em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, entre maio de 2011 e abril de 2014, pela Odebrecht, num terreno que a Prefeitura havia cedido ao clube em 1978. A obra foi bancada com R$ 400 milhões em empréstimo do BNDES, repassados pela Caixa, e R$ 420 milhões em incentivos fiscais municipais, teve dois acidentes fatais e ficou pronta a tempo de receber a abertura da Copa de 2014, em 12 de junho. O custo final passou de R$ 1 bilhão.
Nesta história você acompanha o sonho do estádio próprio que atravessou décadas, por que Itaquera virou o endereço, como a conta foi montada, o dia em que o guindaste caiu, a corrida contra o relógio até Brasil x Croácia e o caminho do Itaquerão até a Neo Química Arena.
Resumo rápido sobre a construção da Arena Corinthians
- O terreno de Itaquera foi concedido ao Corinthians em novembro de 1978 pelo prefeito Olavo Setúbal, por 90 anos.
- Andrés Sanchez anunciou o projeto em agosto de 2010; as obras começaram oficialmente em 30 de maio de 2011, com a terraplenagem.
- O preço acertado com a Odebrecht foi de R$ 820 milhões, mas o custo final ficou em torno de R$ 1,2 bilhão, contando incentivos fiscais e juros.
- Em 27 de novembro de 2013, um guindaste tombou e matou dois operários; em março de 2014, um terceiro trabalhador morreu numa queda.
- O primeiro jogo oficial foi em 18 de maio de 2014, e a abertura da Copa, Brasil 3 x 1 Croácia, em 12 de junho de 2014.
- Desde 1º de setembro de 2020 o estádio se chama Neo Química Arena, por contrato de naming rights de 20 anos.
Um sonho que atravessou gerações
Por quase um século, o maior clube popular de São Paulo não teve onde mandar seus grandes jogos. A Fazendinha, no Parque São Jorge, era pequena para a Fiel, e o Corinthians vivia de aluguel no Pacaembu e no Morumbi. Promessa de estádio não faltou ao longo das décadas, vinda de vários presidentes.
O primeiro passo concreto veio em novembro de 1978, quando o prefeito Olavo Setúbal cedeu ao clube uma área de cerca de 197 mil metros quadrados em Itaquera, por 90 anos. A concessão foi renovada em 1988. Só que terreno sem dinheiro não vira estádio: nos anos 1990 e 2000, parcerias e projetos foram anunciados e abandonados, e o terreno continuou vazio.
Por que Itaquera virou o endereço
A escolha de Itaquera tinha uma lógica prática e outra afetiva. A prática: o terreno já era do clube por concessão, o que eliminava a parte mais cara e demorada de qualquer projeto de estádio em São Paulo. Além disso, a área fica ao lado da estação Corinthians-Itaquera do metrô, na ponta leste da Linha 3-Vermelha, com acesso também por trem.
A afetiva: a Zona Leste concentra uma parcela enorme da torcida corintiana. Levar o estádio para lá era colocar a casa do Time do Povo no meio do povo.
O que mudou o jogo foi a Copa do Mundo de 2014. Com o Morumbi considerado inadequado para os padrões da FIFA, São Paulo precisava de um estádio para receber jogos, e o projeto do Corinthians em Itaquera se tornou a saída.
Do anúncio ao canteiro: 2010 e 2011
Em agosto de 2010, o então presidente Andrés Sanchez anunciou o projeto. As exigências para uma abertura de Copa mudaram as contas ao longo do caminho, e o preço acertado com a construtora ficou em R$ 820 milhões.
As máquinas entraram em campo em 30 de maio de 2011, com a terraplenagem. Em julho de 2011, o contrato com a Odebrecht foi assinado, e em outubro daquele ano a FIFA confirmou o estádio como palco do jogo de abertura do Mundial. A partir dali, o Corinthians tinha uma data que não podia ser adiada.
Como a conta foi montada
O modelo financeiro tinha duas pernas. A primeira era um empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES, pelo programa ProCopa, com a Caixa Econômica Federal como agente repassador. O contrato desse financiamento só foi assinado em 29 de novembro de 2013, com a obra já muito avançada.
A segunda perna eram R$ 420 milhões em incentivos fiscais da Prefeitura de São Paulo. O estádio passou a pertencer a um fundo imobiliário, o Arena FII, e a dívida ficou para ser paga ao longo dos anos. Com juros, aditivos e obras complementares, o custo total chegou a cerca de R$ 1,2 bilhão. Anos depois, o clube renegociou o débito com a Caixa, com prazo noticiado até 2041.
27 de novembro de 2013: o dia em que o guindaste caiu
A obra estava na reta final quando aconteceu o pior. Em 27 de novembro de 2013, um guindaste que içava uma peça de cerca de 420 toneladas da cobertura tombou e atingiu parte da estrutura do estádio. Dois trabalhadores morreram. A montagem da cobertura ficou parada por alguns dias, e a perícia apontou problemas no solo sob o equipamento.
Quatro meses depois, no fim de março de 2014, um terceiro operário caiu de uma altura de cerca de 8 metros enquanto montava as arquibancadas provisórias e morreu. A montagem foi interrompida e só retomada depois do reforço das medidas de segurança.
Contra o relógio até Brasil x Croácia
A previsão original de entrega era o fim de 2013. Não deu. O estádio foi entregue ao Corinthians em abril de 2014, com os últimos acabamentos ainda em andamento. O primeiro jogo oficial veio em 18 de maio de 2014, contra o Figueirense, e terminou com derrota corintiana por 1 a 0, gol de Giovanni Augusto, o primeiro da história da arena.
Para a Copa, a capacidade foi ampliada com cerca de 20 mil assentos temporários, desmontados depois do torneio. Em 12 de junho de 2014, o estádio recebeu a abertura do Mundial: Brasil 3 x 1 Croácia, com gol contra de Marcelo para os croatas e a virada com dois de Neymar e um de Oscar. Foram seis jogos no torneio, incluindo a semifinal entre Holanda e Argentina, em 9 de julho, que levou 63.267 pessoas ao estádio, o recorde de público da arena.
Do Itaquerão à Neo Química Arena
O apelido Itaquerão nasceu ainda nas obras, mas o clube sempre quis vender o nome do estádio. O acordo só saiu em 1º de setembro de 2020, aniversário de 110 anos do clube: a Hypera Pharma comprou os naming rights para a marca Neo Química, em contrato de 20 anos, com valor divulgado em torno de R$ 300 milhões.
A dívida virou causa da torcida. Em novembro de 2024, a Gaviões da Fiel lançou a campanha Doe Arena Corinthians, uma vaquinha que arrecadou dezenas de milhões de reais para ajudar a pagar parcelas do financiamento com a Caixa. A meta total ficou longe, mas a mobilização mostrou de novo o que a arena representa para o corintiano.
| Data | Etapa da Arena |
|---|---|
| Nov. 1978 | Concessão do terreno em Itaquera pela Prefeitura |
| Ago. 2010 | Andrés Sanchez anuncia o projeto |
| 30/5/2011 | Início oficial das obras, com terraplenagem |
| Jul. 2011 | Assinatura do contrato com a Odebrecht |
| Out. 2011 | FIFA confirma a abertura da Copa em Itaquera |
| 27/11/2013 | Queda do guindaste mata dois operários |
| Abr. 2014 | Entrega do estádio ao Corinthians |
| 18/5/2014 | Primeiro jogo oficial: Corinthians 0 x 1 Figueirense |
| 12/6/2014 | Abertura da Copa: Brasil 3 x 1 Croácia |
| 1º/9/2020 | Estádio passa a se chamar Neo Química Arena |
Perguntas frequentes sobre a construção da Arena Corinthians
Quanto custou a Arena Corinthians?
O preço acertado com a Odebrecht foi de R$ 820 milhões, mas o custo total, com incentivos fiscais, juros e obras complementares, chegou a cerca de R$ 1,2 bilhão.
Quem construiu a Arena Corinthians?
A construtora Odebrecht, com contrato assinado em julho de 2011. As obras começaram em 30 de maio daquele ano.
Quantas pessoas morreram na obra do Itaquerão?
Três trabalhadores: dois na queda do guindaste em 27 de novembro de 2013 e um terceiro numa queda durante a montagem das arquibancadas provisórias, em março de 2014.
Qual foi o primeiro jogo na Arena Corinthians?
O primeiro jogo oficial foi Corinthians 0 x 1 Figueirense, em 18 de maio de 2014, pelo Brasileirão. Giovanni Augusto marcou o primeiro gol do estádio.
Por que o estádio se chama Neo Química Arena?
Porque em 2020 a Hypera Pharma comprou os naming rights para a marca Neo Química, em contrato de 20 anos. O nome vale desde 1º de setembro de 2020.
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