Corinthians e São Jorge: A história do santo no clube
A história de São Jorge no Corinthians começa com a mudança do clube para a antiga Fazenda São Jorge, no Tatuapé, comprada em 1926, e ganha forma física em três marcos dentro da sede: a fonte erguida em 1941, a capela inaugurada em 1967 e a festa anual de 23 de abril, com procissão pelo bairro e missa.
A reportagem percorre esses marcos em ordem cronológica, mostra como o padroeiro passou a aparecer em camisas e canções e descreve o que o visitante encontra hoje no Parque São Jorge, do santuário da fonte às celebrações religiosas ligadas ao calendário do clube.
Resumo rápido da presença de São Jorge no clube
- Origem: o nome da propriedade comprada em 1926 na zona leste de São Paulo.
- Fonte: santuário construído em 1941 pelo presidente Manoel Correcher sobre uma nascente.
- Capela: inaugurada em 26 de novembro de 1967, na gestão de Wadih Helu.
- Consagração: em 1994, pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.
- Festa: 23 de abril, com procissão e missa.
- Nas camisas: cruz roxa em 2010 e imagem do santo no uniforme grená de 2011.
- Na música: citado em “Meus 20 Anos”, de Paulinho Nogueira.
Do campo do Sírio à casa corintiana
Antes de pertencer ao Corinthians, a área à beira do Tietê era a Fazenda São Jorge, nome escolhido pelos proprietários, os primos libaneses Nagib Sallem e Assad Abdalla. O Sírio jogava ali nos anos 1920, e foi como visitante que o Corinthians conheceu o terreno. Em 1926, na gestão de Ernesto Cassano, o clube adquiriu mais de 40 mil metros quadrados da propriedade.
O estádio foi reinaugurado em 22 de julho de 1928, e a sede social se consolidou no local no fim daquela década. O endereço, Rua São Jorge, 777, reforçou a associação. O clube reconhece outras explicações para a devoção, como uma suposta herança do Corinthian inglês, mas foi a partir do Tatuapé que o santo se tornou parte da rotina alvinegra.
A biquinha: a fonte que transforma visitantes em torcedores
O primeiro espaço de devoção dentro da sede surgiu em 1941. O presidente Manoel Correcher mandou construir um santuário sobre a maior nascente do terreno, e o local ficou conhecido como Fonte de São Jorge ou, entre os sócios, simplesmente biquinha. A água corrente e limpa continua jorrando até hoje.
Em torno da fonte nasceu uma lenda contada pelo próprio clube: quem bebe daquela água se torna corintiano para sempre. Pais costumam levar os filhos para provar a água, em uma espécie de batismo alvinegro. Em 2021, quando o santuário completou 80 anos, a fonte foi reinaugurada após reforma que incluiu pintura, novo telhado, restauração da imagem do padroeiro em tamanho natural e limpeza dos mosaicos de cerâmica portuguesa.
A tradição ganhou destaque em setembro de 2026, quando o Corinthians usou a lenda da fonte como tema da campanha de 116 anos, batizada de “A fonte da nossa loucura”.
A capela: idealizada nos anos 1950, aberta em 1967
A ideia de erguer uma capela dedicada ao padroeiro dentro da sede surgiu por volta de 1956. O projeto levou anos para sair do papel e a inauguração ocorreu em 26 de novembro de 1967, durante a presidência de Wadih Helu, que comandou o clube de 1961 a 1971. O clube, em seu histórico, descreve a construção como um processo que se estendeu entre meados dos anos 1950 e os anos 1970.
A capela foi consagrada em 1994 pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, após a chegada de uma imagem de madeira de São Jorge trazida da Turquia. Documentos da Câmara Municipal a descrevem como a única capela do estado dedicada ao santo.
O espaço também testemunhou momentos de luto. Em abril de 1969, os jogadores Lidu e Eduardo morreram em um acidente de carro na Marginal Tietê, e seus corpos foram velados na capela. Em datas festivas, o templo recebe celebrações ligadas ao clube, como a missa em homenagem ao aniversário de fundação, em 1º de setembro, celebrada pelo pároco da capela.
O santo na camisa e na canção
A devoção chegou ao uniforme no período dos terceiros uniformes anuais. Em 2010, a camisa roxa trouxe uma cruz no peito em homenagem a São Jorge. No ano seguinte, o modelo grená que lembrava o tributo de 1949 ao Torino exibiu a imagem do santo matando o dragão, aplicada como estampa no tecido.
Na música popular, o padroeiro aparece em “Meus 20 Anos”, composição do violonista Paulinho Nogueira sobre o longo jejum de títulos entre 1954 e 1977. Na letra, o torcedor se dirige ao santo e pede forças para suportar as provocações dos rivais. A canção virou um retrato da relação entre fé e futebol vivida pela Fiel naquele período.
Como é a festa de 23 de abril
O dia de São Jorge é a data mais importante do calendário religioso do Parque São Jorge. A programação tradicional inclui procissão pelas ruas do bairro e missa em honra ao padroeiro, reunindo sócios, moradores e torcedores. Ao longo do ano, a capela mantém atividades regulares, como missa para as famílias no primeiro domingo de cada mês e batizados aos sábados.
A data coincide com o Dia do Torcedor Corinthiano, que faz parte do calendário oficial da cidade de São Paulo. Em 2014, a Câmara Municipal realizou sessão solene no próprio 23 de abril para homenagear a torcida, e o clube costuma marcar o dia com mensagens ao padroeiro em seus canais oficiais.
A ligação entre clube, santo e território ultrapassa os muros da sede. Em 2016, um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal propôs incluir o aniversário do bairro Parque São Jorge no calendário oficial da cidade, em 22 de julho, data da inauguração do estádio corintiano em 1928, e listou a capela entre os principais pontos de referência da região.
| Ano | Marco | Onde aparece hoje |
|---|---|---|
| 1926 | Compra da Fazenda São Jorge na gestão de Ernesto Cassano | Nome da sede e do bairro |
| 1928 | Reinauguração do estádio, em 22 de julho | Estádio Alfredo Schürig, a Fazendinha |
| 1941 | Santuário sobre a nascente, obra de Manoel Correcher | Fonte de São Jorge, a biquinha |
| 1967 | Inauguração da capela, em 26 de novembro | Capela de São Jorge, na sede social |
| 1969 | Velório de Lidu e Eduardo na capela | Memória do clube |
| 1994 | Consagração por Dom Paulo Evaristo Arns | Imagem de madeira vinda da Turquia |
| 2011 | Imagem do santo na camisa grená | Peça de colecionador |
| 2021 | Reforma e reinauguração da fonte | Santuário restaurado |
Perguntas frequentes sobre São Jorge no Corinthians
Onde fica a capela de São Jorge do Corinthians?
Dentro da sede social do clube, o Parque São Jorge, no Tatuapé, zona leste de São Paulo. Ela foi inaugurada em 1967 e consagrada em 1994.
O que é a biquinha do Parque São Jorge?
É a Fonte de São Jorge, santuário construído em 1941 sobre uma nascente do terreno. Pela lenda, quem bebe da água vira corintiano para sempre.
Quando acontece a festa de São Jorge no clube?
Em 23 de abril, dia dedicado ao santo, com procissão pelo bairro e missa. A data também é o Dia do Torcedor Corinthiano.
São Jorge já apareceu na camisa do Corinthians?
Sim. Em 2010, a terceira camisa roxa teve uma cruz em homenagem ao santo, e em 2011 o uniforme grená trouxe a imagem de São Jorge estampada.
Quem consagrou a capela do Parque São Jorge?
O cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo, em 1994, depois da chegada de uma imagem de madeira do santo vinda da Turquia.
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