Uniforme do Corinthians: Como a camisa mudou com o tempo
A camisa do Corinthians mudou em três grandes etapas: a passagem do bege original para o branco com calção preto, a chegada de fabricantes e patrocinadores a partir dos anos 1980 e a criação anual de terceiros uniformes desde 2008, que levaram roxo, grená, cinza, azul e marrom a um clube conhecido pelo preto e branco.
Este guia segue essas fases em ordem, com a lista de fornecedores de material esportivo, os patrocínios que viraram parte da memória do torcedor, as camisas alternativas que mais causaram polêmica e os uniformes usados nas duas conquistas mundiais do clube.
Resumo rápido da evolução do uniforme
- Base atual: camisa branca com detalhes pretos e calção preto, herança do início dos anos 1920.
- Fornecedora: Nike, desde 2003, com contrato renovado até o fim de 2035.
- Primeira marca no peito: Cofap, em 1983.
- Patrocínio longo: Kalunga, de 1985 a 1994.
- Camisa roxa: lançada em 27 de março de 2008 e alvo de protestos.
- Grená de 2011: homenagem ao Torino, com a imagem de São Jorge estampada.
- Marrom de 2020: tributo ao Corinthian-Casuals, clube inglês que inspirou o nome.
O ponto de partida: do bege ao branco
As primeiras camisas, de 1910, eram bege com detalhes pretos. Como o tecido perdia a cor nas lavagens, o clube migrou para o branco, e por volta de 1920 a diretoria padronizou o conjunto com calção preto. Durante cerca de seis décadas, a camisa principal mudou pouco: variavam golas, tecidos e o escudo, mas o peito permanecia sem nenhuma marca comercial.
Os patrocínios que entraram para a história
A publicidade chegou ao uniforme corintiano no início dos anos 1980, no mesmo período da Democracia Corinthiana. Em 1982, a Topper exibiu sua logomarca na lateral direita da camisa e, na final do Campeonato Paulista daquele ano contra o São Paulo, a Bombril estampou as costas.
O peito ganhou dono em 1983, quando a fabricante de autopeças Cofap se tornou a primeira marca na frente da camisa, a partir do Paulista. No ano seguinte, a Corona, fabricante de chuveiros elétricos, fechou um acordo ligado à permanência de Sócrates, e o uniforme chegou a exibir o desenho de um chuveiro. De 1985 a 1994, a papelaria Kalunga ocupou o espaço por quase uma década, em um dos patrocínios mais lembrados pelos torcedores.
Nos anos seguintes, o clube teve diversos parceiros. Durante a passagem de Ronaldo pelo Corinthians, por exemplo, o patrocínio esteve ligado ao grupo Hypermarcas.
Fabricantes: de Topper e Finta à parceria com a Nike
Os registros de fornecedores ganham consistência a partir de 1980, quando a Topper passou a fabricar o uniforme, função que manteve até 1989. Na primeira metade dos anos 1990, a responsabilidade foi da Finta, substituída pela Penalty entre 1995 e 1998. A Topper voltou de 1999 a 2002.
Em 2003 começou a relação mais longa: a Nike assumiu o fornecimento e desde então assina todas as camisas do clube. Em agosto de 2025, o Corinthians anunciou a renovação do contrato por mais dez anos, até o fim de 2035, em acordo que pode render até R$ 1,3 bilhão, somando valores fixos, luvas, bônus e royalties. A parte fixa foi divulgada em R$ 59 milhões por temporada, corrigidos pela inflação, e os royalties mínimos em R$ 38 milhões por ano.
| Período | Fornecedora de material esportivo |
|---|---|
| 1980 a 1989 | Topper |
| 1990 a 1994 | Finta |
| 1995 a 1998 | Penalty |
| 1999 a 2002 | Topper |
| 2003 em diante | Nike, com contrato até o fim de 2035 |
Terceiros uniformes: quando o Corinthians saiu do alvinegro
As camisas alternativas existem há décadas, mas ganharam ritmo de lançamento anual a partir de 2008. Antes disso, o clube já havia usado dois modelos desenhados pelo estilista Ted Lapidus, criados em 1995 e vestidos em 1996, e uma camisa preta com listras douradas na Copa Libertadores de 2006.
A mais polêmica foi a roxa. Em 27 de março de 2008, o clube e a Nike lançaram a campanha “Sou Corinthians Roxo”, inspirada na expressão usada para o torcedor apaixonado. O ônibus da delegação foi envelopado na cor e a estreia foi marcada para o jogo contra o Marília. A reação foi dura: na manhã seguinte, os muros do Parque São Jorge apareceram pintados de roxo e pichados com frases contra a mudança, e o evento de lançamento vendeu cerca de 150 peças. A fornecedora ainda precisou explicar que o tom podia parecer azulado na televisão.
O roxo voltou em 2010, com uma cruz no peito em homenagem a São Jorge. Em 2011, o terceiro uniforme foi grená, inspirado na camisa usada em 1949 em tributo ao Torino, com a imagem do padroeiro estampada no tecido e o ano de 1949 na gola. A peça foi eleita a camisa mais bonita do mundo em votação da loja Subside Sports.
Os anos seguintes trouxeram outras cores. Em 2012, a terceira camisa foi cinza, com o mapa do estado de São Paulo. Em 2013, o azul lembrou um jogo de 1965 contra o Arsenal, em Londres. Em 2020, o modelo marrom com duas faixas azuis em cruz homenageou o Corinthian-Casuals e resgatou o escudo usado entre 1919 e 1939.
Como datar uma camisa antiga do Corinthians
Para quem coleciona ou encontrou uma camisa guardada no armário, alguns sinais ajudam a estimar a época. O primeiro é a fabricante: a tabela de fornecedores reduz o intervalo a poucos anos, e qualquer peça com a marca da Nike é posterior a 2003. O segundo é o patrocinador do peito, já que a Kalunga, por exemplo, aparece apenas entre 1985 e 1994.
O escudo também funciona como relógio. Camisas com estrelas acima do distintivo são do período entre 1990 e 2011, e o número de estrelas indica o momento: uma única estrela aponta para o início dos anos 1990, e cinco, para o período posterior a 2005. Peças com o escudo em tom dourado remetem ao centenário de 2010, enquanto o escudo limpo, sem estrelas, marca as camisas feitas depois de outubro de 2011.
As camisas dos dois títulos mundiais
No Mundial de Clubes da Fifa de 2000, disputado no Brasil, o Corinthians precisou adaptar o uniforme porque o Vasco, adversário na final, também jogava de branco. Por isso o time entrou em campo com a camisa listrada em preto e branco, que acabou associada ao primeiro título mundial.
Em 2012, no Japão, a escolha foi pelo modelo tradicional: camisa predominantemente branca, com detalhes pretos na gola e nas mangas, fabricada pela Nike e com patrocínio da Caixa. Foi com ela que o time venceu o Chelsea por 1 a 0 na final, em 16 de dezembro, com gol de cabeça de Paolo Guerrero.
Perguntas frequentes sobre o uniforme do Corinthians
Quem fabrica a camisa do Corinthians?
A Nike, que fornece o material esportivo desde 2003. Em agosto de 2025, o contrato foi renovado até o fim de 2035.
Qual foi a primeira marca estampada na frente da camisa?
A Cofap, em 1983. Um ano antes, a Topper já havia colocado sua logomarca na lateral e a Bombril tinha aparecido nas costas na final do Paulista de 1982.
Por que o Corinthians lançou uma camisa roxa?
A campanha de 2008 brincava com a expressão “corintiano roxo”, usada para o torcedor fanático. A ideia dividiu a torcida e provocou protestos no Parque São Jorge.
O Corinthians já jogou de azul?
Sim. O terceiro uniforme de 2013 foi azul e fazia referência a uma partida contra o Arsenal, disputada em Londres em 1965.
Por que a camisa da final do Mundial de 2000 era listrada?
Porque o Vasco, adversário da decisão, também usava branco. Para diferenciar as equipes, o Corinthians jogou com a camisa listrada em preto e branco.
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