Timão: A origem do apelido do Corinthians
O apelido Timão nasceu em 1966, quando o jornal A Gazeta Esportiva passou a chamar de “Timão do Corinthians” o elenco caro e cheio de estrelas montado pelo presidente Wadih Helu, que trouxe até Garrincha para tentar encerrar o jejum de títulos paulistas iniciado em 1954. O time não acabou com a seca, mas o apelido ficou e virou grito de arquibancada.
Abaixo você encontra o contexto daquele ano de 1966, o papel de Garrincha na história, por que um apelido criado para um time que fracassou sobreviveu por quase seis décadas, as outras explicações que circulam por aí e como o Timão convive com os demais apelidos do clube.
Resumo rápido sobre o apelido Timão
- O termo surgiu em 1966, nas páginas de A Gazeta Esportiva, para descrever o elenco reforçado daquela temporada.
- O presidente era Wadih Helu, no cargo desde 1961, que liberou uma verba alta para o futebol.
- Garrincha, bicampeão mundial com a Seleção, foi a contratação mais simbólica daquele “Timão”.
- O time não ganhou o Paulista de 1966: o jejum só terminou em 13 de outubro de 1977, com gol de Basílio.
- A torcida adotou o apelido de vez, e ele ganhou variações como “Todo Poderoso Timão”.
1966: doze anos sem título e um presidente com pressa
Para entender o Timão, é preciso lembrar como o corintiano chegou em 1966. O último título paulista tinha sido o de 1954, o do IV Centenário da cidade de São Paulo. Dali em diante, o clube viu rivais levantarem taça atrás de taça, e a cobrança no Parque São Jorge só crescia. Cada temporada sem volta olímpica pesava mais que a anterior.
Wadih Helu, que presidia o Corinthians desde 1961, decidiu responder com dinheiro. A diretoria abriu o cofre e foi ao mercado atrás de nomes fortes. A ideia era simples: montar um time tão grande que o título viesse quase por gravidade. Foi esse elenco, inflado de expectativa, que a imprensa esportiva de São Paulo começou a tratar no aumentativo.
O batismo é atribuído à A Gazeta Esportiva, o jornal esportivo mais influente da cidade na época, que passou a escrever “Timão do Corinthians” para falar daquela equipe. O próprio site oficial do clube reconhece que o apelido foi criado pela Gazeta. Em pouco tempo, o termo saiu do jornal e foi parar na boca do torcedor.
Garrincha no Parque São Jorge: o rosto do Timão
Nenhuma contratação resume melhor aquele projeto do que a de Mané Garrincha. O ponta-direita, herói das Copas de 1958 e 1962, chegou do Botafogo em 1966.
O problema é que o Garrincha que vestiu a camisa alvinegra já não era o das Copas. Os joelhos castigados limitavam o drible que tinha encantado o mundo, e a passagem foi curta. Os números variam conforme a fonte: há registros que apontam 21 jogos e 4 gols, enquanto outras publicações falam em apenas 2 gols. De qualquer forma, ficou longe do impacto esperado.
Mesmo assim, a imagem de Garrincha com a camisa do Corinthians ajudou a fixar o apelido. Quando um clube consegue tirar do Rio de Janeiro um bicampeão do mundo, a sensação de “time grande demais” fica evidente para qualquer um que abre o jornal. O Timão era, antes de tudo, uma promessa de grandeza.
Um Timão que não foi campeão paulista
A ironia da história é que o time que deu origem ao apelido não cumpriu a missão. O Corinthians não venceu o Campeonato Paulista de 1966, e a fila continuou. Naquele ano o clube até dividiu o título do Torneio Rio-São Paulo com outras equipes, mas para o torcedor a taça que importava era a estadual.
A seca ainda duraria mais onze anos. Passou pela final perdida para o Palmeiras em 1974, pela Invasão Corinthiana ao Maracanã em 1976 e só terminou na noite de 13 de outubro de 1977, no Morumbi, quando Basílio marcou o gol do 1 a 0 sobre a Ponte Preta no terceiro jogo da decisão. Foram quase 23 anos sem um título paulista.
Ou seja: durante boa parte da vida do apelido, “Timão” foi mais uma declaração de fé do que uma descrição do time em campo. E talvez seja justamente por isso que ele pegou tanto.
Por que o apelido sobreviveu ao fracasso
Apelidos dados pela imprensa costumam morrer junto com o elenco que inspirou. Com o Corinthians foi diferente porque a torcida tomou a palavra para si. Chamar o clube de Timão em plena fila era uma forma de dizer que o tamanho do Corinthians não dependia de troféu. O time podia estar mal, mas continuava sendo grande.
Com o tempo, o termo virou nome de guerra. Está nos cantos das arquibancadas, nas faixas, nas manchetes e até no vocabulário dos rivais. Hoje é comum ver “Timão” usado como sinônimo direto de Corinthians, sem aspas, em transmissões e jornais.
O apelido também ganhou derivações. A mais famosa é o “Todo Poderoso Timão”, que, segundo o próprio clube, ganhou força na final do primeiro Mundial de Clubes da FIFA, em janeiro de 2000, no Maracanã, contra o Vasco. A expressão é repetida até hoje sempre que o Corinthians conquista algo grande.
Outras explicações que circulam
Como acontece com quase todo apelido antigo, aparecem versões alternativas. Uma delas liga o nome ao timão de navio, a roda usada para conduzir embarcações, por causa do desenho do escudo, que traz uma âncora e remos. É uma associação curiosa, mas não há registro histórico que sustente essa origem. A explicação documentada é a da Gazeta Esportiva em 1966.
Também é comum confundir o Timão com o Mosqueteiro. O mascote é mais antigo: surgiu em 1929, depois que o jornalista Thomaz Mazzoni, de A Gazeta, elogiou a “fibra de mosqueteiro” dos jogadores na vitória por 3 a 1 sobre o Barracas, da Argentina. O Mosqueteiro é o símbolo; o Timão é o apelido do time.
O Timão e a família de apelidos corintianos
O Corinthians coleciona nomes, e cada um nasceu de um momento diferente da história. A tabela abaixo organiza os principais pela ordem em que apareceram.
| Apelido | Quando surgiu | Origem |
|---|---|---|
| Time do Povo | 1910 | Fundação por operários do Bom Retiro; frase atribuída ao primeiro presidente, Miguel Battaglia |
| Mosqueteiro (mascote) | 1929 | Texto de Thomaz Mazzoni em A Gazeta após vitória sobre o Barracas |
| Fiel | Anos 1940 a 1970 | Torcida que crescia mesmo sem títulos; há mais de uma versão para a origem |
| Timão | 1966 | A Gazeta Esportiva sobre o elenco reforçado por Wadih Helu |
| Todo Poderoso Timão | 2000 | Canto da torcida ligado ao Mundial de Clubes |
| Bando de Loucos | 2007 | Canto das arquibancadas no ano do rebaixamento |
Perguntas frequentes sobre o apelido Timão
Quem criou o apelido Timão?
O apelido é atribuído ao jornal A Gazeta Esportiva, que em 1966 passou a se referir ao elenco do Corinthians como “Timão do Corinthians”. Não há registro de um jornalista específico como autor.
O Timão de 1966 ganhou algum título?
O Corinthians dividiu o Torneio Rio-São Paulo de 1966 com outros clubes, mas não venceu o Campeonato Paulista. O jejum estadual só acabou em 1977.
Garrincha jogou quantas partidas pelo Corinthians?
Há divergência entre as fontes. Os registros mais citados falam em 21 jogos e 4 gols em 1966, mas algumas publicações mencionam apenas 2 gols.
O apelido Timão tem relação com o leme de navio?
Essa versão circula por causa da âncora e dos remos do escudo, mas não tem respaldo histórico. A origem documentada é jornalística, de 1966.
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