Fiel Torcida: Como surgiu o apelido dos corintianos
O apelido Fiel Torcida surgiu nos anos 1940, quando a torcida do Corinthians continuou crescendo mesmo durante nove anos sem títulos, entre o Paulista de 1941 e o Torneio Rio-São Paulo de 1950. Essa é a versão do site oficial do clube. O historiador corintiano Fernando Wanner conta outra: o termo teria sido criado pelo jornalista Thomaz Mazzoni depois de uma homenagem da torcida aos pracinhas da Segunda Guerra. O nome se consolidou de vez no jejum de 1954 a 1977.
A seguir, você confere as duas versões sobre a origem do apelido, como os 23 anos de fila transformaram a palavra em sobrenome, os episódios que provaram essa fidelidade, da Invasão de 1976 à noite de Basílio, e como o termo foi parar no nome da maior organizada do clube.
Resumo rápido sobre a Fiel Torcida
- Segundo o Corinthians, a torcida ganhou o apelido de Fiel entre os anos 1940 e 1950, num período de nove anos sem troféus.
- Outra versão, contada pelo historiador do clube Fernando Wanner, liga o nome a Thomaz Mazzoni e a uma homenagem aos pracinhas no Pacaembu.
- O apelido ganhou força no jejum de quase 23 anos sem título paulista, entre 1954 e 1977.
- A Invasão Corinthiana ao Maracanã, em 5 de dezembro de 1976, virou o retrato mais famoso dessa fidelidade.
- Em 1969 a palavra entrou no nome da Gaviões da Fiel, e em 2008 no programa de sócios Fiel Torcedor.
A versão oficial: nove anos de seca e arquibancada cheia
O Corinthians ganhou o Campeonato Paulista de 1941 e depois entrou numa sequência sem troféus que só terminou com o Torneio Rio-São Paulo de 1950. Para um clube que tinha se acostumado a vencer nas décadas de 1920 e 1930, nove anos era muito tempo.
O curioso é que, nesse intervalo, a torcida não diminuiu. Pelo contrário: o número de corintianos continuou aumentando. O Pacaembu, inaugurado em 1940, passou a receber multidões alvinegras mesmo quando o time não dava motivo para festa. Segundo o site oficial do clube, foi esse comportamento, de quem não abandona o time na fase ruim, que fez a torcida ser chamada de Fiel.
A versão dos pracinhas: Mazzoni e a homenagem no Pacaembu
Há uma segunda história, contada pelo historiador do clube Fernando Wanner na série “Corinthians, Minha História”, da Corinthians TV. Ela se passa durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil mandou milhares de soldados, os pracinhas, lutar na Europa.
Num jogo do Corinthians no Pacaembu, a torcida teria feito uma homenagem aos soldados nas arquibancadas. A cena teria impressionado Thomaz Mazzoni, jornalista de A Gazeta, que passou a chamar os corintianos de “Fiel Torcida”, em referência à lealdade à pátria. A data exata desse jogo não aparece nos relatos.
Mazzoni não é um nome qualquer nessa história. Foi ele quem, em 1929, escreveu sobre a “fibra de mosqueteiro” dos jogadores corintianos, texto que deu origem ao mascote do clube. As duas versões não se anulam: ambas situam o apelido nos anos 1940, e é bem possível que a imprensa tenha usado a palavra por mais de um motivo até ela pegar.
23 anos de fila: quando a fidelidade foi posta à prova
Se o apelido nasceu nos anos 1940, foi entre 1954 e 1977 que ele ganhou peso de verdade. Depois do título paulista de 1954, o do IV Centenário de São Paulo, o Corinthians entrou no jejum mais longo da sua história. Foram quase 23 anos sem levantar o troféu estadual.
No caminho houve de tudo: o time caro de 1966, o “Timão” com Garrincha, que não deu certo, e a final perdida para o Palmeiras em 1974. Enquanto isso, a torcida não parava de crescer. Cada derrota parecia recrutar mais corintianos, e a palavra Fiel deixou de ser elogio de jornal para virar descrição literal.
5 de dezembro de 1976: a Invasão do Maracanã
O episódio que melhor traduz o apelido aconteceu no Rio de Janeiro. O Corinthians enfrentaria o Fluminense na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976, no Maracanã, e a torcida decidiu que o time não jogaria fora de casa. Ônibus, carros e aviões saíram de São Paulo rumo ao Rio em quantidade nunca vista.
O número exato é incerto: o próprio clube já falou em cerca de 70 mil e em cerca de 80 mil corintianos. De qualquer forma, o Maracanã ficou dividido ao meio. O jogo terminou 1 a 1 e o Corinthians avançou nos pênaltis. Na final, perdeu para o Internacional em Porto Alegre, mas a viagem já tinha entrado para a história como a Invasão Corinthiana.
13 de outubro de 1977: o fim da espera
Menos de um ano depois, a fila finalmente caiu. A final do Paulista de 1977 contra a Ponte Preta teve três jogos, com o Morumbi lotado. No terceiro jogo, em 13 de outubro, Basílio marcou o gol do 1 a 0 e acabou com quase 23 anos de espera. A torcida invadiu o gramado para comemorar.
A partir dali, a Fiel tinha uma prova concreta para mostrar. Tinha esperado mais de duas décadas sem desistir, e o título só reforçou a ideia de que o maior patrimônio do Corinthians estava na arquibancada.
De apelido a sobrenome: Gaviões, Fiel Torcedor e além
Em 1969, um grupo de torcedores que se reunia desde meados da década e fazia oposição ao presidente Wadih Helu fundou a Gaviões da Fiel. A palavra estava ali, no nome da entidade que viria a ser a maior organizada do clube.
Décadas depois, o termo virou nome de programa de sócio. O Fiel Torcedor foi criado em 2008 para facilitar a compra de ingressos e se tornou um dos maiores programas do tipo no país. A torcida também marcou presença em momentos como a final do Mundial de 2000 no Maracanã e a festa do centenário, em 2010, que reuniu uma multidão no Vale do Anhangabaú.
| Ano | Momento da Fiel |
|---|---|
| 1941-1950 | Nove anos sem títulos e torcida em crescimento; período apontado pelo clube para o surgimento do apelido |
| Anos 1940 | Homenagem aos pracinhas no Pacaembu, segundo a versão de Fernando Wanner |
| 1954-1977 | Jejum de quase 23 anos sem título paulista |
| 1969 | Fundação da Gaviões da Fiel |
| 1976 | Invasão Corinthiana ao Maracanã, na semifinal contra o Fluminense |
| 1977 | Título paulista com gol de Basílio diante da Ponte Preta |
| 2008 | Criação do programa Fiel Torcedor |
Perguntas frequentes sobre a Fiel Torcida
Por que a torcida do Corinthians é chamada de Fiel?
Porque continuou crescendo e apoiando o time mesmo em longos períodos sem título, primeiro entre 1941 e 1950 e depois no jejum de 1954 a 1977. A fidelidade em fase ruim virou marca.
Quem inventou o apelido Fiel Torcida?
Não há consenso. O historiador do clube Fernando Wanner atribui o termo ao jornalista Thomaz Mazzoni, de A Gazeta, nos anos 1940. O site oficial do Corinthians não cita autor.
O que foi a Invasão Corinthiana?
Foi a viagem de dezenas de milhares de corintianos ao Rio de Janeiro para a semifinal do Brasileiro de 1976 contra o Fluminense, em 5 de dezembro, no Maracanã. O Corinthians empatou por 1 a 1 e venceu nos pênaltis.
Quando foi fundada a Gaviões da Fiel?
Em 1969, por torcedores que se reuniam desde meados dos anos 1960 e queriam participar da vida política do clube, em oposição ao então presidente Wadih Helu.
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