Stabile acha brecha e diminui dívida de R$ 1,2 bilhão do Corinthians; 46,6%
O Corinthians respirou. Depois de anos flertando com o colapso financeiro, o clube encontrou uma brecha jurídica, sentou à mesa com o governo e conseguiu abater mais de meio bilhão de reais de uma dívida que parecia impagável.
O acordo que muda o jogo fora de campo
Em negociação direta com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a gestão de Osmar Stabile fechou um acordo de transação tributária que reduziu a dívida fiscal do clube de mais de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões. O desconto foi pesado: 46,6% sobre juros, multas e encargos legais, encerrando um passivo que se arrastava há quase 20 anos e ameaçava receitas essenciais do Timão.

Raio-X da dívida: como o Corinthians vai pagar
A reestruturação foi pensada para caber no caixa e evitar novos sufocos. O plano ficou assim:
- Débitos não previdenciários (cerca de R$ 1 bilhão):
Parcelamento em até 120 meses. - Débitos previdenciários (aproximadamente R$ 200 milhões):
Quitação em até 60 parcelas, conforme a lei. - FGTS e Caixa Econômica Federal:
30% de desconto e parcelamento em 60 vezes.
Na prática, o Corinthians troca a corda no pescoço por um cronograma longo, previsível e monitorado.
Parque São Jorge entra como garantia no acordo
Para convencer a União, o clube colocou garantias de peso na mesa. A principal delas foi o Parque São Jorge, sede social avaliada em R$ 602,2 milhões, além dos repasses mensais da Timemania. A PGFN fará fiscalizações trimestrais. Se o Corinthians atrasar parcelas ou deixar de pagar impostos correntes, o acordo pode ser cancelado, com perda imediata de todos os descontos.
Impacto direto no futebol e no mercado
Com a situação fiscal regularizada, o Corinthians destrava pontos-chave:
- Patrocínios com estatais voltam ao radar
- Adequação ao Fair Play Financeiro da CBF e CONMEBOL para 2026
- Redução prevista de R$ 200 milhões no orçamento anual, abrindo espaço para investir no elenco
Mesmo com a dívida bruta total ainda girando em torno de R$ 2,8 bilhões, incluindo Arena, ações cíveis e outros passivos, o clube ganha fôlego para atender, ao menos em parte, os pedidos de Dorival Júnior por reforços.
Análise: vitória fora das quatro linhas
Esse acordo não resolve tudo, mas muda o roteiro. O Corinthians sai do modo sobrevivência e entra, finalmente, em modo reconstrução. O risco agora não é o tamanho da dívida, mas a disciplina da gestão. Com menos penhoras, menos bloqueios judiciais e mais previsibilidade, o Timão ganha tempo, e tempo, no futebol moderno, vale dinheiro e resultado esportivo.
A bola ainda precisa entrar. Mas, fora de campo, o Corinthians marcou um golaço daqueles que evitam rebaixamento… administrativo.
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