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MP está investigando o Corinthians; entenda o motivo

O Ministério Público de São Paulo está investigando uma possível infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Corinthians. Essa investigação ampliou-se após o depoimento de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do clube, que afirmou que o crime organizado está infiltrado no Corinthians, e que ele tem sofrido ameaças em decorrência disso.

O promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pelo caso, suspeita que alguns jogadores do Corinthians teriam morado em um imóvel ligado a José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, uma figura conhecida no crime organizado. O promotor solicitou esclarecimentos a jogadores como Fausto Vera, Rodrigo Garro e Talles Magno para confirmar se eles realmente ocuparam o apartamento no bairro Anália Franco e se o clube intermediou esta locação. Importante destacar que até o momento não há suspeitas de crimes contra esses atletas; eles são ouvidos apenas como testemunhas.

A promotoria também investiga a ligação do clube com o imóvel, buscando entender o motivo da escolha e se há conexões mais profundas entre o Corinthians e José Carlos Gonçalves. Não é a primeira vez que o Corinthians é associado ao PCC: investigações anteriores apontaram que recursos provenientes de contratos com a ex-patrocinadora VaideBet foram direcionados a empresas ligadas à facção. Além disso, um ex-diretor de futebol, Rubens Gomes, conhecido como Rubão, já havia mencionado essas conexões em 2024, que também envolveram intermediários do PCC em negociações de jogadores.

Corinthians está entregando documentos para investigação

Quanto à investigação em si, o Corinthians começou a entregar documentos solicitados pela promotoria referentes ao período de 2018 a 2025, incluindo faturas de cartões corporativos e relatórios de despesas da presidência. A Promotoria ainda aguarda a confirmação do recebimento completo desses documentos. Depoimentos de dirigentes e pessoas ligadas ao clube têm sido colhidos; o promotor planeja ouvir o vice-presidente Armando Mendonça na próxima semana.

O Procedimento Investigatório Criminal instaurado em 30 de julho apura crimes como apropriação indébita, estelionato, furto qualificado, falsidade ideológica e associação criminosa ligadas ao clube. Inicialmente focada no uso indevido de cartões corporativos nas gestões anteriores, a investigação expandiu-se para abarcar também as despesas da presidência e a gestão financeira em geral.

O Ministério Público já pediu judicialmente o afastamento dos três últimos presidentes do Corinthians, mas ainda não houve decisão sobre esses pedidos. Também está pendente a aprovação para quebra de sigilo dos cartões corporativos do clube, o que pode trazer novas revelações. Até agora, o caso se configura como um escândalo de graves proporções que pode implicar o Corinthians em relações com organizações criminosas, com impactos legais e reputacionais significativos para a instituição.

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