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Injustiça? Jogador que reagiu a ofensa racista é punido; 10 jogos de gancho

Em decisão polêmica e que gerou forte repercussão nos bastidores do futebol paranaense, o Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) puniu na noite de segunda-feira (21/10) os jogadores Diego, ex-volante do Batel, e PV, zagueiro do Nacional-PR, pelo episódio de injúria racial durante a partida entre os clubes pela Taça FPF.

PV, vítima de racismo, pega gancho mais pesado

Mesmo sendo alvo da ofensa racista, o zagueiro PV acabou sendo o mais punido: 10 jogos de suspensão. A decisão dividiu opiniões nas redes sociais e levantou questionamentos sobre os critérios da justiça desportiva.

PV foi suspenso por:

  • 6 jogos pelo cuspe em Diego (decisão unânime),
  • 4 jogos pelo soco que deu no adversário após ouvir a ofensa (voto não unânime).

Já Diego, acusado de injúria racial, foi punido com:

  • 7 jogos de suspensão,
  • Multa de R$ 2 mil.

Entenda o que aconteceu

O caso ocorreu aos 41 minutos do segundo tempo, quando, após uma disputa no escanteio, PV teria cuspido em Diego. Em resposta, Diego chamou o zagueiro de “macaco”, segundo consta na súmula e foi relatado pelo próprio PV ao árbitro. A reação veio em seguida: o defensor partiu pra cima e desferiu um soco no volante do Batel.

O árbitro Diego Ruan Pacondes da Silva seguiu o protocolo antirracismo da FIFA, cruzando os braços em “X”, paralisando o jogo. PV foi expulso, e Diego foi encaminhado ao hospital.

“Malaco”, não “macaco”?

Durante o julgamento, Diego negou ter feito ofensa racista e alegou que usou a palavra “malaco”, não “macaco”. Segundo ele, o termo seria usado como sinônimo de “maloqueiro”. Apesar da justificativa, o TJD-PR entendeu que houve injúria racial.

Todos os quatro auditores do TJD-PR votaram pela punição de Diego com 7 jogos e multa, divergindo apenas sobre o soco de PV:

  • 3 auditores votaram por punição completa (10 jogos).
  • 1 auditor, José Leandro Scandelari, absolveu PV pelo soco, mantendo apenas a punição pelo cuspe (6 jogos).

Clubes se manifestam

Nacional-PR confirmou que vai recorrer da decisão:

“O clube tomará todas as medidas judiciais cabíveis, para que de fato a Justiça seja feita, renovando seu compromisso contra quaisquer práticas de atos discriminatórios, as quais são inaceitáveis!”, afirmou o advogado Marlon Lima, em nota oficial.

Já o Batel, clube de Diego, foi absolvido por unanimidade da acusação de omissão e comemorou a decisão:

“Foi um julgamento farto de provas e muito técnico, onde todo o contexto apareceu e ficou muito claro”, disse o presidente Leonardo Mattos Leão.

Após o ocorrido, o clube demitiu o volante Diego.

Investigação criminal em andamento

Além da esfera esportiva, o caso também é analisado pela Polícia Civil do Paraná, que instaurou inquérito, ouviu os dois jogadores e aguarda encaminhamento do Ministério Público.

A defesa de PV deve entrar também com ação na esfera cível, buscando responsabilização pela ofensa sofrida.

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