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Dívida de R$ 23 milhões causa incômodo dentro do Corinthians; sem norte

O Corinthians vive mais um capítulo turbulento fora de campo. A dívida com Memphis Depay, que já ultrapassa R$ 23 milhões, virou motivo de incômodo interno e escancarou a falta de direção do clube em meio a uma crise financeira e esportiva.

Dívida com Memphis pressiona diretoria

O Timão, que devia cerca de R$ 18 milhões ao atacante holandês, firmou um acordo para quitar o valor em parcelas mensais até fevereiro de 2025, deixando o restante para março. No entanto, uma nova pendência surgiu: a parcela das luvas, de aproximadamente R$ 6 milhões, venceu em 15 de setembro e não foi paga.

Com isso, a soma total chega a R$ 23 milhões, valor que já foi renegociado em outro acordo parcelado, segundo informações do UOL.

“Contrato fora da realidade do clube”

Durante reunião do Cori (Conselho de Orientação), o diretor jurídico Pedro Soares classificou o contrato de Memphis como “fora da realidade do Corinthians” e defendeu que os responsáveis pela contratação sejam ouvidos pelo órgão fiscalizador.

Os altos valores geram desconforto nos bastidores e dificultam o pagamento de outras dívidas, que somam mais de R$ 125 milhões com jogadores como Félix Torres, Garro, Maycon, Martínez, Charles e Matías Rojas.

O clube, inclusive, enfrenta um transfer ban que impede novas contratações e afeta diretamente o planejamento da próxima temporada.

Memphis desabafa: “Não é a realidade”

Após a vitória contra o Grêmio, Memphis soltou o verbo e deixou clara a insatisfação com a falta de reforços e de ambição do elenco atual: “Com o projeto que tenho na minha cabeça, quero competir por todos os títulos. Mas sejamos realistas: ainda temos a mesma equipe. Por que esperam que possamos vencer todos os títulos? Não é a realidade.”

O atacante destacou que o Corinthians contratou apenas Vitinho antes da punição da Fifa, e que o time não tem elenco para brigar de igual para igual com os principais rivais.

Dorival admite: “Ainda não temos um norte”

O técnico Dorival Júnior reconheceu a incerteza sobre o futuro do Timão e cobrou soluções da diretoria: “Nós ainda não temos um norte. O presidente nos garantiu que essa situação seria resolvida. Estamos na espera. Já começamos o planejamento, mas com limitações.”

Sem poder contratar e com o risco de novas punições, o planejamento para 2026 parece um quebra-cabeça sem peças suficientes.

Transfer ban trava o futuro

O transfer ban, em vigor desde 12 de agosto, impede o Timão de registrar novos jogadores. A diretoria promete quitar em dezembro a dívida de R$ 40 milhões com o Santos Laguna, do México, referente à compra do zagueiro Félix Torres, o que poderia liberar o clube das sanções.

Mas o problema é maior: o Corinthians acumula seis condenações na Fifa, somando R$ 125,6 milhões, e uma delas já foi confirmada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS). Caso não sejam resolvidas, novas punições podem surgir nos próximos meses.

Análise: um clube sem rumo

A dívida com Memphis Depay é só a ponta do iceberg de uma gestão que perdeu o controle financeiro. A soma de débitos, atrasos e acordos mal estruturados transformou o Corinthians em um time sem norte, atolado em dívidas e preso a promessas de bastidores.

Enquanto a diretoria busca saídas emergenciais, o elenco sente o reflexo dentro de campo, e o torcedor, cada vez mais impaciente, vê um Timão sem identidade, sem reforços e sem perspectiva clara de futuro.

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