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Corinthians vacilou e viu dívida com a Caixa crescer em R$ 100 milhões

Em maio de 2011, o Corinthians iniciou o ambicioso projeto de construção do seu estádio próprio, a atual Neo Química Arena, localizada na Zona Leste de São Paulo. O estádio ocupa uma área de 189 mil metros quadrados e teve um custo aproximado de R$ 985 milhões para ser erguido, dos quais R$ 400 milhões foram financiados pela Caixa Econômica Federal (CEF).

A construção, realizada pela construtora Odebrecht (atual OEC) entre 2011 e 2014, passou por várias adaptações para atender aos requisitos da FIFA para a Copa do Mundo de 2014, elevando o custo inicial previsto. Uma importante parcela desse valor foi financiada por empréstimos e emissão de títulos de dívida, incluindo debêntures e Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs), que permitiram ao clube negociar parte da dívida com a construtora.

No papel, o estádio é propriedade do Arena Fundo Imobiliário (Arena FII), fundo que foi criado para captar recursos destinados exclusivamente para o estádio. A lógica financeira prevê que as receitas geradas pela arena, como bilheteria e eventos, sejam repassadas ao fundo para pagamento dessas dívidas, principalmente as relacionadas ao financiamento da Caixa.

Contudo, em 2023, o Arena FII acumulava cerca de R$ 100 milhões em receitas de bilheteria a receber do Corinthians. O clube informou que esses recursos foram utilizados para o custeio de despesas operacionais de partidas e que, desde a última renegociação em 2022, não é mais obrigado a repassar diretamente a bilheteria ao fundo imobiliário, embora a dívida com a Caixa continue sendo paga regularmente.

Outro ponto delicado foi a falta de repasses relativos ao contrato de naming rights firmado com a Hypera Pharma, que garante pagamentos anuais de cerca de R$ 15 milhões vigentes até 2040. Os documentos do fundo imobiliário ainda indicam uma significativa perda de valor de mercado da Neo Química Arena entre 2014 e 2022, atribuída pelo Corinthians ao aumento das taxas de juros no país.

Dívida atual do Corinthians com a Caixa

Atualmente, o clube deve cerca de R$ 645 milhões à Caixa, valor atualizado pela incidência de juros ao longo dos anos. A gestão atual do Corinthians afirmou estar realizando ajustes contábeis necessários e pretende republicar demonstrações financeiras para oferecer mais transparência sobre a situação do fundo imobiliário.

Diante das dificuldades financeiras, discutem-se propostas para a criação de um novo fundo de investimento imobiliário destinado a abrigar a Neo Química Arena, aberto para investidores pessoas físicas. A ideia é tornar o estádio acessível a torcedores que queiram investir no clube, mas especialistas alertam para a alta complexidade e riscos desse modelo, dado o peso da dívida e a concentração do fundo em uma única propriedade com apenas um inquilino, o próprio Corinthians, que possui pagamentos em atraso.

Outro elemento polêmico envolve a atual administração do Arena FII pela Reag Trust, alvo recente de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro. A instituição nega irregularidades e afirma seguir às normas regulatórias.

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