Corinthians tem outros motivos para se preocupar além de transfer ban da Fifa
O Corinthians foi punido pela Fifa com um transfer ban, ficando impedido de registrar novos jogadores por três janelas de transferências devido a uma dívida de US$ 6,14 milhões (aproximadamente R$ 33,1 milhões) com o clube mexicano Santos Laguna, referente à contratação do zagueiro Félix Torres, realizada em janeiro de 2024 durante a gestão de Augusto Melo.
O clube paulista pagou apenas a primeira parcela de US$ 2 milhões de um total de US$ 6,5 milhões, e não quitou as parcelas restantes, que foram cobradas judicialmente pela entidade máxima do futebol. O departamento jurídico do Corinthians recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) para evitar a punição, mas perdeu em todas as instâncias, tendo até o dia 11 de agosto para quitar a dívida ou negociar um acordo. Até o momento, as negociações com o Santos Laguna não resultaram em um acordo, em parte pela postura irredutível dos mexicanos, tornando improvável um acerto extrajudicial.
Corinthians pode ser punido por outros três casos
Além da punição pelo caso Félix Torres, o Corinthians enfrenta outras três possíveis sanções referentes a processos que tramitam no CAS. Um envolve a contratação do meia Rodrigo Garro, quando o clube foi condenado pela Fifa a pagar US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 19,3 milhões) ao Talleres, da Argentina, mais juros de 18% ao ano desde janeiro de 2024 até a quitação do débito, além de US$ 700 mil por despesas operacionais. O clube argentino não demonstra interesse em um acordo amigável e considera que o Corinthians causou “dano tremendo” ao não honrar os pagamentos enquanto Garro atuava no time.
Outro processo envolve a rescisão contratual do meia Matías Rojas, que deixou o Corinthians no início de 2024 devido a atrasos reiterados nos pagamentos de direitos de imagem. A Fifa condenou o clube a pagar cerca de R$ 40,4 milhões, valor equivalente ao restante do contrato até junho de 2027. O caso está em recurso ainda sem decisão definitiva, mas espera-se um posicionamento do tribunal ainda em agosto.
Por fim, o Corinthians responde a uma cobrança do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, pelo não pagamento de parcelas relacionadas ao empréstimo do volante Maycon nos meses de março de 2023, outubro de 2023, abril de 2024 e novembro de 2024, totalizando cerca de R$ 6,3 milhões (1 milhão de euros). Além do valor principal, incidem juros de 10% ao ano e multas por descumprimento contratual e à Fifa.
No pior cenário, considerando as multas e juros, o Corinthians poderá ter que pagar cerca de R$ 69,8 milhões apenas em penalidades da Fifa, sem contar possíveis acréscimos adicionais referentes aos processos em andamento.
A situação ainda demanda atenção da diretoria, que precisa regularizar os pagamentos para liberar contratações futuras e evitar que a proibição prejudique o desempenho esportivo e financeiro do clube nas próximas temporadas.
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