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Corinthians entrou em campo e foi para o gramado vestindo verde

No pequeno país africano de Cabo Verde, que fará sua estreia na Copa do Mundo em 2026, existe um clube amador chamado Corinthians São Vicente, fundado em 1987 por um grupo de amigos apaixonados pelo futebol. O time foi inspirado no tradicional Corinthians Paulista, mas sua criação foi fruto do acaso e do encanto pela imagem do clube brasileiro, que um grupo de jovens viu em uma edição antiga da revista Placar. A partir dali, adotaram o nome e o escudo semelhantes, apesar de não conhecerem muito sobre a rivalidade entre Corinthians e Palmeiras.

O Corinthians São Vicente funciona de maneira totalmente voluntária, com jogadores e dirigentes sem remuneração e materiais fornecidos por doações, inclusive os uniformes, que já variaram em cores — inclusive chegou a jogar com camisas verdes, sem saber do peso simbólico dessa cor para os torcedores brasileiros do Corinthians. Essa situação engraçada ocorreu porque um emigrante financiou o time com esse uniforme, gerando muitas risadas e curiosidade.

Corinthians São Vicente enfrenta diversos desafios

O clube é essencialmente amador, focando na formação de jovens atletas, com participação em divisões regionais de Cabo Verde, contando ainda com uma equipe adulta que disputa a segunda divisão local. A dificuldade financeira é grande, pois Cabo Verde não possui uma indústria esportiva própria, e todo material vem importado, o que encarece bastante as atividades.

José Martins, um dos fundadores, relembra sua conexão com o Brasil ao ter estudado jornalismo em São Paulo e até ter participado do Carnaval pela torcida organizada Gaviões da Fiel. O clube sonha em fortalecer seus laços com o Corinthians Paulista, mas parcerias não avançaram por questões de contato e recursos.

Enquanto isso, Cabo Verde vive seu momento histórico com a classificação inédita para a Copa do Mundo, contando com jogadores que atuam em clubes europeus e em outros mercados. O Corinthians São Vicente segue firme em sua missão de promover o esporte e manter viva a chama corintiana no arquipélago, mesmo que, às vezes, pise em campo vestindo verde, cor que gera diversidade e histórias curiosas.

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