Corinthians define prioridade após receber proposta de nova patrocinadora máster
O Corinthians recebeu, nos últimos dias, uma proposta ousada para mudar seu patrocinador máster e entrar de vez no ramo das apostas esportivas com uma plataforma própria, mas a direção decidiu adotar postura conservadora. A oferta partiu da Responsa Gamming, que sugeriu criar uma bet com o nome do clube, em modelo que garantiria remuneração fixa, participação nos lucros e ganhos variáveis, com projeção de mais de R$ 600 milhões em três anos. Mesmo com números sedutores, o plano não empolgou o alto comando alvinegro, que hoje enxerga outro caminho como mais seguro.
Corinthians busca ampliar contrato com atual patrocinadora
No cenário atual, a prioridade do Corinthians é ampliar o contrato com a Esportes da Sorte, patrocinadora máster desde meados de 2024 e com vínculo vigente até 2027. As conversas para prorrogar esse acordo já estão avançadas e envolvem aumento dos valores pagos e expansão das contrapartidas comerciais, como maior exposição de marca e novas ativações de marketing. Internamente, a avaliação é de que a empresa de apostas está consolidada no mercado e entrega estabilidade num momento em que o clube busca reorganizar finanças e reputação.
A cautela do Corinthians com a proposta da Responsa Gamming passa diretamente pelo temor de dano de imagem. Para a cúpula corintiana, atrelar oficialmente o nome do clube a uma casa de apostas aumentaria o risco reputacional, sobretudo após experiências recentes traumáticas com antigos parceiros, como Taunsa e VaideBet, que deixaram a marca do Timão arranhada. A ideia é evitar qualquer movimento que possa resultar em novo escândalo comercial justamente quando o clube tenta reconstruir credibilidade junto à torcida, mercado e órgãos reguladores.
Outro ponto que pesou é o porte da Responsa no setor. Embora a empresa tenha recebido autorização do governo federal, em junho, para operar duas marcas de bet (Joga Limpo e Energia), o Corinthians entende que ainda se trata de um player de menor expressão em comparação à Esportes da Sorte. A percepção é de que não vale trocar um parceiro já estabelecido, com relacionamento considerado muito bom e campanhas bem avaliadas, por um projeto que, embora mais rentável no papel, traz mais incertezas do que garantias no médio prazo.
Paralelamente à discussão sobre o máster, o clube também movimenta o tabuleiro comercial em outras frentes da camisa. Os contratos com Elétrica AREA (barra traseira), Frimesa (ombro), EZZE Seguros (costas) e UniCesumar (calção) se encerram no fim desta temporada, e o Corinthians tenta renovar todos com reajuste de valores, embora já tenha sido avisado de que pelo menos uma dessas parceiras não permanecerá em 2026. Há ainda espaços vagos, como a barra frontal da camisa, que seguem em processo de prospecção para novas marcas.
Do ponto de vista financeiro, a diretoria trabalha com metas claras. A previsão é terminar o ano com cerca de R$ 174 milhões em receitas de patrocínio, número bem abaixo dos R$ 211 milhões projetados no início da temporada, reflexo da dificuldade em fechar acordos nos valores desejados e de interrupções contratuais. Para 2026, porém, o plano é mais agressivo: a estimativa é elevar esse montante para R$ 255 milhões, combinando a renovação turbinada com a Esportes da Sorte, a recomposição das propriedades que expiram e a venda dos espaços ainda disponíveis no uniforme.
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