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Corinthians atrasa salários no Parque São Jorge; uma análise da crise de caixa

No meio de mais um turbilhão financeiro, o Corinthians atrasou o pagamento da primeira parcela do 13º salário dos funcionários do Parque São Jorge, evidenciando novamente o tamanho do buraco no caixa alvinegro. O clube confirmou o atraso e diz que a diretoria “trabalha para sanar os problemas o quanto antes”.

O COMEÇO DE MAIS UM CAPÍTULO TURBULENTO

A grana que deveria ter caído na última sexta-feira não apareceu para os funcionários do clube social. O episódio engrossa a lista de dificuldades econômicas que o Timão enfrenta em 2024 e 2025 de transfer bans a cobranças milionárias de clubes estrangeiros e até ex-jogadores.

O Corinthians vive uma sequência quase ininterrupta de punições:

  1. Transfer ban da CBF por dívida de R$ 780 mil com o Cuiabá, referente à compra de Raniele.
    Agora, o clube está proibido de registrar novos jogadores por seis meses.
  2. Transfer ban da Fifa aplicado em agosto pela dívida com o Santos Laguna, que hoje gira em torno de R$ 40 milhões, pela contratação de Félix Torres.
  3. A CAS determinou que o Timão pague R$ 40,4 milhões a Matías Rojas, valor referente ao que o paraguaio receberia até o fim do contrato.
  4. O clube ainda deve cerca de R$ 30 milhões ao Talleres, pela compra de Rodrigo Garro. A cobrança dos argentinos veio forte:
    “(O Corinthians) nos deve mais de 5 milhões de dólares… Vendemos pensando que era um clube sério.”
  5. Há também o débito de 1 milhão de euros (aprox. R$ 6,2 milhões) com o Shakhtar Donetsk pelo empréstimo de Maycon, caso que deve parar no CAS.

Dívidas bilionárias

O balanço financeiro mais recente escancarou a profundidade da crise:

  • Déficit acumulado: R$ 103,1 milhões em julho.
  • Dívida bruta total: R$ 2,7 bilhões, incluindo o financiamento com a Caixa Econômica Federal.

É um cenário que não tem dado trégua e que atinge desde o futebol profissional até o funcionamento do clube social.

Em meio ao caos, o Corinthians anunciou a adoção do SAP Concur, plataforma global especializada em gestão de despesas.
Segundo o clube, a ferramenta trará automação, mais precisão e monitoramento rígido no fluxo de gastos, em outras palavras, uma tentativa de enxugar processos internos e evitar descontrole financeiro. Mas, convenhamos… tecnologia nenhuma faz milagre se o caixa estiver seco.

ANÁLISE: O QUE ESSE ATRASO NOS DIZ SOBRE O MOMENTO DO CORINTHIANS?

O atraso do 13º não é um simples deslize administrativo. É um indicador claro de que o Corinthians vive sua pior crise financeira em décadas.
Quando o clube não consegue honrar compromissos básicos com funcionários do seu próprio patrimônio histórico, o Parque São Jorge, fica evidente que a situação é mais grave do que apenas atrasos em negociações de mercado.

O risco agora é o efeito dominó:

  1. Funcionários desmotivados,
  2. Punições esportivas,
  3. Reputação manchada no cenário internacional,
  4. Aumento de juros e multas,
  5. E dependência cada vez maior de empréstimos emergenciais, como o que o clube estuda, cerca de R$ 100 milhões.

A sensação para o torcedor é clara: o clube está sempre “apagando incêndios”, mas a fogueira só aumenta.

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