Augusto Melo teve atitude polêmica antes de ser afastado da presidência do Corinthians
Horas antes de ser afastado da presidência do Corinthians, Augusto Melo assinou um aditivo que triplicou a multa rescisória do contrato de Marcos Boccatto, funcionário do clube envolvido em um dos casos que motivaram o processo de impeachment contra o dirigente.
O contrato, firmado em 26 de maio de 2025, no mesmo dia em que Augusto Melo foi afastado pelo Conselho Deliberativo, previa inicialmente uma multa equivalente a um salário, cerca de R$ 25 mil, que foi elevada para o triplo desse valor sem passar pela análise do departamento jurídico do clube. O aditivo contou com a assinatura de Augusto Melo, de Boccatto e de duas testemunhas, entre elas uma assessora do então presidente e um diretor ligado à operação da Neo Química Arena.
Funcionário foi demitido dias após o afastamento de Augusto Melo
Marcos Boccatto, que acumulava funções no Corinthians e no Água Santa, clube citado em investigações da Polícia Civil por suposta ligação com o crime organizado, foi demitido logo na primeira semana da gestão interina de Osmar Stabile, que assumiu após o afastamento de Augusto Melo. O caso de Boccatto se assemelha a outros contratos polêmicos assinados pelo ex-presidente pouco antes do afastamento, como os aditivos com empresas do grupo RF Segurança e Serviços, que também não passaram pelo crivo jurídico do clube.
Augusto Melo preferiu não comentar o assunto, alegando que não era a pessoa indicada para tratar do caso e ressaltando a importância da proteção de dados pessoais conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A assessora de Augusto Melo e o diretor da Neo Química Arena também foram contatados, mas não se manifestaram até o momento.
O Corinthians, por sua vez, optou por não se pronunciar oficialmente, embora fontes internas tenham confirmado que o clube deve instaurar uma investigação para apurar possíveis outras irregularidades em contratos assinados por Melo antes de seu afastamento.
O afastamento de Augusto Melo ocorreu após uma votação no Conselho Deliberativo, motivada por denúncias de irregularidades em contratos de patrocínio, infração da Lei Geral do Esporte e descumprimento do estatuto do clube, culminando no indiciamento do presidente pela Polícia Civil. A gestão interina, liderada por Osmar Stabile, busca agora restaurar a governança e a transparência no Corinthians, enquanto o clube se prepara para as próximas etapas do processo que pode resultar em nova eleição para a presidência.
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