Agressão contra o goleiro do Corinthians foi parar no STJD
O clima pesou na Arena da Baixada. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) vai julgar, na próxima segunda-feira (10 de novembro), os episódios de violência registrados no duelo entre Athletico-PR e Corinthians, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. O caso que mais chamou atenção foi a agressão sofrida pelo goleiro Hugo Souza, já nos acréscimos do jogo, quando um torcedor invadiu o gramado e empurrou o arqueiro alvinegro.
Risco de punição pesada pelo STJD
O Athletico-PR foi enquadrado nos artigos 213, incisos II e III, combinados com o 184 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), dispositivos que tratam da responsabilidade do mandante em casos de invasão de campo e arremesso de objetos. A denúncia pode custar caro: o Furacão corre o risco de multa entre R$ 100 e R$ 100 mil e ainda perder mando de campo por até dez partidas.
Em súmula, o árbitro Wilton Pereira Sampaio relatou o ocorrido: “Aos 52 minutos do segundo tempo, um torcedor da equipe mandante invadiu o campo de jogo indo em direção ao goleiro Hugo de Souza Nogueira, da equipe do Corinthians, e desferindo um empurrão, sendo contido em seguida por atletas e seguranças. Ao mesmo tempo foram arremessados vários copos com líquidos não identificados vindos da torcida da equipe mandante.”
Defesa do Athletico e o argumento da identificação
A defesa do Athletico deve se apoiar no fato de que o torcedor foi identificado e detido momentos após a invasão. O infrator foi levado à Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe) e autuado com base na Lei Geral do Esporte, que pune quem “promove tumulto, pratica ou incita a violência ou invade local restrito em eventos esportivos”.
Horas depois, o próprio torcedor gravou um vídeo pedindo desculpas ao goleiro e à torcida.
Segundo o CBJD, quando o autor do ato é identificado, o clube pode ser isento de responsabilidade — mas a decisão final cabe ao STJD.
Caso o tribunal mantenha a punição, o Furacão poderá atuar sem torcida na última rodada da Série B, diante do América-MG, no dia 23 de novembro. A sanção não precisa ser cumprida necessariamente na Copa do Brasil.
Análise
Essa história vai além de um simples empurrão: ela mostra como o comportamento de um único torcedor pode colocar todo um clube em risco. Mesmo com a identificação imediata do agressor, o Athletico sabe que o STJD costuma aplicar punições exemplares em situações de agressão física dentro de campo.
O torcedor do Corinthians, por sua vez, quer ver respeito e segurança, algo que tem faltado em algumas arenas do país. E a verdade é uma só: ninguém quer ver o futebol decidido no tribunal, mas sim dentro das quatro linhas.
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