Quem escreveu o hino do Corinthians?
O hino do Corinthians que a Fiel canta hoje foi escrito pelo radialista e compositor Benedito Lauro D’Ávila, conhecido apenas como Lauro D’Ávila. A obra, registrada também com o nome “Campeão dos Campeões”, foi composta no início dos anos 1950, em 1952 segundo a versão mais citada, e substituiu um hino mais antigo, dos anos 1930, que nunca caiu no gosto da torcida. A autoria da letra é consenso. Já a melodia tem uma versão alternativa, defendida pela família do músico Edmundo Russomano.
A canção se firmou nas arquibancadas depois do título paulista do IV Centenário e, sete décadas mais tarde, ainda rendeu uma disputa judicial sobre quem pode usá-la. A seguir, você confere quem foi o autor, como o hino nasceu, qual era a música anterior, como ele virou oficial, as gravações mais marcantes e o que a Justiça decidiu sobre os direitos.
Resumo rápido do hino do Corinthians
- Autor: Benedito Lauro D’Ávila, radialista e compositor, morto em 1985.
- Ano: 1952, segundo a maioria das fontes; algumas reportagens citam 1953.
- Outro nome: “Campeão dos Campeões”, como a música também aparece nos cadastros do Ecad.
- Hino anterior: composição dos anos 1930, com letra de Eduardo Dohmen e música de La Rosa Sobrinho.
- Popularização: após o título paulista de 1954, o do IV Centenário de São Paulo.
- Oficialização: acordo verbal de 1955 entre o compositor e o clube, na gestão de Alfredo Ignácio Trindade.
- Disputa judicial: a Justiça de São Paulo garantiu ao Corinthians o uso gratuito do hino, em decisão que se tornou definitiva no início de 2026.
Quem foi Lauro D’Ávila, o autor do hino do Corinthians
Benedito Lauro D’Ávila trabalhava no rádio, o grande veículo de comunicação do Brasil nos anos 1950, e também compunha. É a ele que o Ecad atribui a obra, cadastrada em três versões de título: “Hino do Corinthians”, “Hino do Corinthians/Campeão dos Campeões” e “Campeão dos Campeões”. No mesmo banco de dados aparecem outras músicas dele, entre elas uma chamada “Gaviões da Fiel”.
Segundo as editoras que administravam seus direitos, Lauro D’Ávila morreu em 1985. Até o fim da vida, de acordo com o que o clube sustentou na Justiça, ele nunca cobrou do Corinthians pelo uso da música.
A versão de que a melodia é de Edmundo Russomano
A maioria dos registros credita letra e música a Lauro D’Ávila. Existe, porém, outra versão, contada pela família do músico Edmundo Russomano, compositor de sambas e dobrados e clarinetista. Segundo esse relato, em 1952 Adelino Ricciardi, editor da Revista Corinthians nas décadas de 1940 e 1950, encomendou novas obras para o clube. A letra de Lauro D’Ávila teria se inspirado em manchetes da própria revista, e Ricciardi teria pedido a Russomano que fizesse a música.
Essa versão foi divulgada em 2020 pelo maestro Rubens Russomano Ricciardi, neto de Edmundo e professor da USP em Ribeirão Preto. Ela não aparece, porém, nos cadastros oficiais da obra nem nas reportagens sobre o processo judicial, que tratam Lauro D’Ávila como único compositor.
O primeiro hino do Corinthians, dos anos 1930
Antes de “Campeão dos Campeões”, o Corinthians já tinha um hino. Ele foi feito nos anos 1930, com letra de Eduardo Dohmen e música de La Rosa Sobrinho, e chegou a ser gravado pela dupla Guarani e Pirajá. Era uma peça de estilo marcial, como a maioria dos hinos de clubes daquela época, mais próxima de uma marcha cívica do que de uma canção de arquibancada.
Esse primeiro hino não pegou entre os torcedores. Em estudo sobre os hinos de futebol no Brasil, o pesquisador Elcio Cornelsen observa que a composição antiga não tinha apelos emocionais, como a exaltação da fidelidade e dos feitos do clube, e sugere que essa ausência pode ter motivado a encomenda de uma nova música anos depois.
Como o hino foi composto
O novo hino nasceu no início da década de 1950, um período em que os clubes brasileiros trocavam os hinos marciais por músicas mais populares, movimento que ganhou força no Rio de Janeiro com os hinos de Lamartine Babo. A obra de Lauro D’Ávila fica no meio do caminho: mantém a solenidade e a ausência de um “eu” que fala, típicas dos hinos antigos, mas valoriza as conquistas do clube, característica das canções de torcida.
A música tem duas partes bem marcadas. A primeira, em andamento mais lento, exalta o clube e sua história. A segunda acelera e trata do lugar do Corinthians entre os grandes do futebol brasileiro, ideia que aparece no próprio título, “Campeão dos Campeões”.
Como virou o hino oficial do Corinthians
A virada veio com o Campeonato Paulista de 1954, disputado no ano do IV Centenário de São Paulo. O título foi decidido em 6 de fevereiro de 1955, no Pacaembu, com um empate diante do Palmeiras. A partir dessa conquista, a torcida adotou a música e passou a cantá-la em todos os jogos.
Ainda em 1955, segundo o clube, o então presidente Alfredo Ignácio Trindade, que comandou o Corinthians de 1955 a 1957, formalizou a canção como hino oficial por meio de um acordo verbal com Lauro D’Ávila. Pelo combinado, o Corinthians poderia usar a obra livremente, e o compositor ganharia a divulgação de seu trabalho associada ao nome do clube. Nada foi registrado em papel, e o clube também não registrou a música em seu nome.
Linha do tempo do hino do Corinthians
| Ano | Acontecimento |
|---|---|
| Anos 1930 | Primeiro hino, de Eduardo Dohmen e La Rosa Sobrinho, gravado por Guarani e Pirajá |
| 1952 | Lauro D’Ávila compõe “Campeão dos Campeões” (algumas fontes citam 1953) |
| 1955 | Título paulista de 1954 populariza a música; acordo verbal com o clube |
| 1985 | Morte de Lauro D’Ávila, segundo as editoras |
| 2008 | Álbum com o hino em versões de funk, hip hop, pop, rock, metal e samba |
| 2014 | Clube é notificado por editoras que cobram pelo uso do hino |
| 2020 | USP Filarmônica lança arranjo sinfônico dedicado a Sócrates |
| 2023 | Corinthians entra na Justiça para usar o hino sem pagar |
| 2026 | Decisão favorável ao clube se torna definitiva |
Gravações marcantes do hino
Segundo relato divulgado pelo perfil oficial do Corinthians nas redes sociais, a primeira gravação de “Campeão dos Campeões” foi feita pelo cantor Osny Silva, pela gravadora Continental, nos estúdios da Rádio Bandeirantes.
Em 2008, a Warner Music lançou o álbum “No Ritmo da Fiel”, com o hino adaptado para seis estilos: funk, hip hop, pop, rock, metal e samba, sempre com crédito a Lauro D’Ávila como compositor.
A versão da USP Filarmônica
Em novembro de 2020, a USP Filarmônica apresentou um arranjo sinfônico do hino assinado por Rubens Russomano Ricciardi. Por causa da pandemia, cada músico gravou sua parte em casa, e as imagens foram reunidas depois em um único vídeo. O clarinete ganhou destaque como homenagem a Edmundo Russomano, que tocava o instrumento. A versão foi dedicada a Sócrates, ídolo da Democracia Corinthiana, que se formou em medicina justamente no campus da USP em Ribeirão Preto.
A briga na Justiça pelos direitos do hino
Anos depois do acordo verbal, entre o fim dos anos 1960 e os anos 1970, Lauro D’Ávila firmou contratos de cessão de direitos com as editoras Musical Corisco e Musiclave. Em 2014, quase 30 anos após a morte do compositor, as editoras notificaram o Corinthians cobrando pelo uso da música. Elas sustentavam que o hino era apenas uma homenagem ao clube e que os herdeiros recebiam conforme os contratos.
Em janeiro de 2023, o Corinthians entrou com uma ação no Tribunal de Justiça de São Paulo pedindo o reconhecimento do acordo de 1955. O clube deixou claro que não queria tomar a obra para si: as editoras continuariam cobrando de quem gravasse o hino, e só o Corinthians ficaria isento. A defesa citou como precedente o caso do Fluminense, que em 2007 venceu na Justiça do Rio uma disputa parecida sobre o próprio hino.
A juíza Marcella Leal Restum, da 30ª Vara Cível, deu razão ao clube. Ela considerou válido o acordo verbal pelas regras do Código Civil de 1916, em vigor na época, e entendeu que o combinado obriga também os herdeiros. Pesaram ainda as décadas de uso contínuo sem cobrança nem objeção do autor em vida. A decisão transitou em julgado no início de 2026, encerrando a disputa.
O hino na arquibancada
Desde a campanha de 1954, o hino é presença fixa nos jogos do Corinthians e nas comemorações de títulos. A música atravessou gerações, passou do Pacaembu para a Neo Química Arena e segue sendo um dos símbolos mais reconhecidos do Timão, ao lado das cores, do escudo e do Mosqueteiro.
Perguntas frequentes sobre o hino do Corinthians
Quem escreveu o hino do Corinthians?
O radialista e compositor Benedito Lauro D’Ávila, que aparece como autor nos registros oficiais da obra. A família do músico Edmundo Russomano afirma que ele fez a melodia, mas essa versão não consta dos cadastros do Ecad.
Em que ano o hino do Corinthians foi criado?
A data mais citada é 1952, mas algumas reportagens falam em 1953. A música se popularizou depois do título paulista de 1954, conquistado em fevereiro de 1955, e foi oficializada naquele mesmo ano.
O Corinthians teve outro hino antes?
Sim. Nos anos 1930, o clube adotou um hino de estilo marcial, com letra de Eduardo Dohmen e música de La Rosa Sobrinho, gravado por Guarani e Pirajá. Ele nunca se tornou popular entre os torcedores.
O Corinthians paga para usar o próprio hino?
Não. A Justiça de São Paulo reconheceu o acordo verbal de 1955 entre o clube e Lauro D’Ávila e garantiu ao Corinthians o uso gratuito da obra. Quem grava o hino, porém, continua precisando de autorização das editoras.
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