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Fundadores do Corinthians: Os operários do Bom Retiro

O Corinthians nasceu do trabalho manual. Quem fundou o Corinthians, em 1º de setembro de 1910, foi um grupo de operários do Bom Retiro: dois pintores de parede, um sapateiro, um motorista e um trabalhador braçal. Joaquim Ambrósio, Antônio Pereira, Rafael Perrone, Anselmo Correia e Carlos Silva não tinham espaço no futebol organizado da cidade e decidiram criar o próprio clube.

Essa origem não é apenas um detalhe de almanaque. Ela explica o apelido Time do Povo, a composição da torcida e parte das escolhas que o clube fez ao longo do século 20. A seguir, o perfil do grupo, o bairro em que viviam e o que restou dessa herança.

Resumo rápido

  • Número de fundadores reconhecidos: cinco.
  • Ofícios: pintura de paredes, conserto de calçados, condução de veículos e serviço braçal.
  • Bairro: Bom Retiro, região central de São Paulo, vizinha da Estação da Luz.
  • Presidente escolhido: Miguel Battaglia, alfaiate.
  • Ideia central: um clube aberto a trabalhadores, fora do circuito da elite.

O Bom Retiro de 1910, berço do Timão

No começo do século 20, o Bom Retiro era um dos endereços da São Paulo que crescia com a indústria e a imigração. A proximidade com a Estação da Luz e com a linha férrea atraía oficinas, pequenos comércios e moradores recém-chegados, muitos deles da Itália e de Portugal. A Rua José Paulino, então chamada Rua dos Imigrantes, resumia no próprio nome o perfil do lugar.

Foi nessa rua, na esquina com a Rua Cônego Martins, que o grupo se reuniu à noite, sob um lampião, para criar o clube. O bairro continua sendo um reduto corintiano, e um obelisco no local lembra o encontro.

Quem fundou o Corinthians: o perfil do grupo

A tabela reúne o que as fontes registram sobre cada fundador. Os dados são poucos, e as ocupações são praticamente a única informação biográfica preservada.

FundadorOfícioDestaque
Joaquim AmbrósioPintor de paredeTeria proposto homenagear o time inglês
Antônio PereiraPintor de paredeColega de ofício de Ambrósio
Rafael PerroneSapateiroPrimeiro capitão e técnico improvisado do time
Anselmo CorreiaMotoristaUm dos cinco nomes oficiais
Carlos SilvaTrabalhador braçalCitado como João da Silva em algumas versões

Ao lado deles estava Miguel Battaglia, alfaiate que assumiu a presidência. Ele não está entre os cinco nomes de quem fundou o Corinthians, mas foi o porta-voz da proposta de um clube popular.

Trabalhadores fora do futebol oficial

Para entender quem fundou o Corinthians, é preciso lembrar como o futebol paulista funcionava. A Liga Paulista de Futebol reunia clubes como o Paulistano e a AA das Palmeiras, ligados a famílias ricas e a círculos sociais fechados. Ser sócio exigia dinheiro e prestígio. Operários jogavam na várzea, em terrenos sem estrutura, e não tinham como disputar o campeonato da liga.

O estímulo para mudar isso veio de fora. Em 31 de agosto de 1910, o Corinthian FC, time amador inglês em turnê, venceu a AA das Palmeiras por 2 a 0 no Velódromo. A exibição convenceu o grupo do Bom Retiro de que valia a pena organizar um clube de verdade, com nome, diretoria e jogos marcados.

Ligação com a ferrovia

Parte dos relatos sobre a fundação associa os operários à São Paulo Railway, companhia inglesa que operava a ferrovia entre Santos e Jundiaí e tinha a Estação da Luz como ponto central. As fontes não detalham o vínculo de cada fundador com a empresa, mas a presença da ferrovia ajuda a explicar a concentração de trabalhadores no bairro.

Da várzea à liga: o salto dos operários

O projeto dos fundadores precisou de menos de três anos para chegar ao futebol oficial. Em 1913, os clubes mais ricos romperam com a Liga Paulista de Futebol e criaram uma entidade rival. Com as vagas abertas, o Corinthians disputou uma seletiva contra o Minas Gerais e o São Paulo daquela época, venceu e passou a jogar o campeonato principal.

A chegada de um time de operários entre os grandes chamou atenção, e parte da imprensa passou a chamá-lo de D’Artagnan, referência ao personagem de Os Três Mosqueteiros. Em 1914, o time nascido na várzea do Bom Retiro ganhou o Campeonato Paulista com dez vitórias em dez jogos.

Por que as listas de fundadores variam

Quem procura saber quem fundou o Corinthians em diferentes publicações encontra pequenas divergências. Rafael Perrone aparece também como Raphael, Anselmo Correia surge como Corrêa e Miguel Battaglia é grafado às vezes como Bataglia. No caso de Carlos Silva, algumas listas trazem João da Silva.

Há também versões ampliadas. Textos publicados no centenário do clube mencionam outros presentes na reunião, entre eles um fundidor, um macarroneiro e mais pintores e alfaiates. O núcleo reconhecido, porém, segue sendo o dos cinco operários.

A herança operária no Corinthians de hoje

A origem trabalhadora virou parte da identidade corintiana. O apelido Time do Povo vem diretamente da proposta de Battaglia e dos fundadores. Nos anos 1980, a Democracia Corinthiana, em que jogadores votavam decisões do clube, foi lida por muitos como um reencontro com essa raiz popular.

A torcida também carrega essa marca. A Fiel ficou conhecida como torcida de massa, de forte presença popular, e a mudança do estádio para Itaquera, na Zona Leste, em 2014, levou o clube para longe dos bairros nobres da cidade. Saber quem fundou o Corinthians, portanto, ajuda a entender por que o clube se apresenta até hoje como a voz das arquibancadas populares.

Perguntas frequentes

Os fundadores do Corinthians eram ricos?

Não. Eram operários com ofícios manuais, sem acesso aos clubes de elite da época.

Em que bairro o Corinthians foi fundado?

No Bom Retiro, no centro de São Paulo, no cruzamento da Rua José Paulino com a Cônego Martins.

Qual era a profissão de Miguel Battaglia?

Battaglia era alfaiate. Foi eleito o primeiro presidente na noite de fundação.

Existe homenagem aos fundadores no Bom Retiro?

Sim. Um obelisco na esquina onde aconteceu a reunião marca o local de fundação do clube.

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