Hugo Souza usa título sobre o Cruzeiro para minimizar vexame com organizada
O barulho vinha de todos os lados. Antes mesmo de a bola rolar para a semifinal da Copa do Brasil, Hugo Souza já sabia que o peso daquele jogo contra o Cruzeiro carregava algo além da classificação: era também uma resposta à pressão crescente da Gaviões da Fiel, que ainda não engoliu o 3 a 0 sofrido recentemente no Mineirão.
O goleiro do Corinthians destacou que o título da Copa do Brasil seria suficiente para “virar a chave” após a oscilação no Brasileirão, usando justamente o duelo contra o Cruzeiro como exemplo para minimizar o desgaste do elenco com a principal organizada do clube. Segundo ele, o contexto da derrota por 3 a 0 “não representa” o momento atual do time.
“Contexto totalmente diferente”, diz Hugo Souza
Hugo fez questão de enfatizar que o Corinthians chega para a semifinal em outro estágio físico e emocional. “Fomos jogar contra eles com muitos desfalques. Agora está todo mundo pronto, bem fisicamente. Isso muda tudo”, afirmou.
Ele também sustentou que a postura do time em mata-matas é superior: “Nos jogos de Copa, a gente entra com mentalidade de erro zero. A segurança é muito maior”, completou.
Questionado sobre suas chances de ir à Copa do Mundo, Hugo admitiu que conquistar o torneio pelo Corinthians mudaria sua prateleira. No entanto, o que chamou atenção foi a comparação com o Flamengo, ainda que interrompida no meio da frase:
“Uma verdade, todo mundo sabe… Ganhar no Flamengo é um pouco mais f… Tem elenco maior, mais qualificado, clube mais estruturado. Aqui é diferente. Se a gente ganhar, com tudo que aconteceu no ano… aí você cria casca”, disparou.
A fala caiu como uma forma de valorizar a possível conquista e, ao mesmo tempo, rebater críticas pesadas da torcida organizada.
Números que contam a história
- Brasileirão: 13ª colocação, 47 pontos, 15 derrotas, apenas 12 vitórias, saldo -5.
- Copa do Brasil: campanha perfeita, seis jogos, seis vitórias, nenhum gol sofrido, passando por Novorizontino, Palmeiras e Athletico-PR.
- Últimos 7 jogos do Brasileirão: apenas 1 vitória.
Ou seja: no campeonato de pontos corridos, queda; na competição eliminatória, muralha. É essa dicotomia que Hugo tenta usar como narrativa para acalmar a torcida.
Pressão da Gaviões e clima de “tudo ou nada”
A derrota para o Cruzeiro acendeu o pavio da Gaviões e jogadores sentiram. A organizada cobrou firme, e o ambiente ficou pesado no CT. Dentro do elenco, o discurso é claro: o título da Copa do Brasil virou prioridade máxima, não só pelo troféu, mas pela sobrevivência política e emocional dentro do clube.
Hugo deixou isso implícito: “A gente não largou o Brasileiro, mas precisou fazer escolhas. Agora todo mundo chega inteiro para brigar por esse título”, disse.
Análise: Hugo tenta proteger o elenco
O goleiro adotou uma estratégia comum em momentos de pressão:
- reconstruiu o contexto da derrota,
- elevou a importância do título,
- e apontou evolução interna,
- enquanto rebateu críticas veladas da torcida.
A comparação com o Flamengo reforça um discurso de “superação”, típico de clubes que vivem processos turbulentos. Hugo tenta posicionar o Corinthians como um time que, se levantar a taça, o fará na raça e que isso deve receber um valor diferente. Para o torcedor, a mensagem é clara: “Calma, o jogo que vale mesmo é agora.”
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