Queridinho do Verdão é investigado por manipulação de apostas
Um dos nomes mais queridos da torcida do Juventude voltou ao centro de uma grande polêmica. O zagueiro Paulo Miranda, que já vestiu a camisa do Verdão do Rio Grande do Sul, tenta agora se apoiar em uma recente decisão do STF para se livrar da acusação de manipular cartões a mando de apostadores.
Defesa corre para usar decisão do STF
Logo após o Supremo entender que forçar um cartão amarelo não basta, por si só, para configurar manipulação esportiva, a defesa de Paulo Miranda enviou um pedido ao ministro Gilmar Mendes para aplicar ao zagueiro o mesmo entendimento que beneficiou Igor Cariús na última terça-feira.
Os advogados afirmam que as acusações contra o ex-lateral do Sport e contra Paulo Miranda são praticamente idênticas, ambas originadas na Operação Penalidade Máxima, do Ministério Público de Goiás.
Segundo a denúncia, o defensor que em 2024 atuou pelo Mixto, teria recebido valores para forçar cartões em dois duelos do Brasileirão 2022, contra Fortaleza e Goiás. Há ainda menção a uma suposta chamada de vídeo dentro do vestiário com um dos apostadores após uma das partidas.
O pedido está nas mãos de Gilmar Mendes, ainda sem decisão. Paulo Miranda é o primeiro entre os denunciados a buscar o trancamento da ação após o novo entendimento do STF.
A DECISÃO QUE PODE MUDAR TUDO
Na terça, o STF decidiu por maioria conceder habeas corpus ao lateral Igor Cariús, acusado de forçar um cartão em 2022. O atleta havia sido denunciado com base no artigo 198 da Lei Geral do Esporte, que trata de atos que alterem ou falseiem resultados esportivos.
O voto que virou o jogo foi justamente o de Gilmar Mendes, que destacou que: “Tomar um único cartão amarelo não é suficiente para alterar o resultado de uma competição.”
Ele reforçou que, embora criticável, a ação individual de Cariús não mudou o resultado do jogo nem do campeonato — o que, segundo o ministro, descaracteriza o crime previsto na Lei Geral do Esporte.
Gilmar ainda afirmou: “Outra situação seria se houvesse uma conduta reiterada e sistemática para obtenção artificial de cartões. Aí sim haveria relevância penal.”
Essa interpretação abriu uma brecha que agora pode beneficiar Paulo Miranda.
BASTIDORES DA INVESTIGAÇÃO
Além de Paulo Miranda e Cariús, pelo menos outros 15 jogadores foram denunciados por suposta participação em manipulação de cartões no Brasileirão.
Especialistas em integridade esportiva, porém, vêm criticando duramente o novo entendimento do STF. O ex-Procurador-Geral do STJD, Paulo Schmitt, já havia declarado: “A proteção da integridade esportiva vai além do resultado final. Forçar cartão amarelo pode impactar classificações e é infração grave.”
Na esfera esportiva, as punições continuam acontecendo: Cariús, por exemplo, foi suspenso por um ano após o Ministério Público apontar que ele recebeu R$ 30 mil para forçar um cartão no duelo entre Cuiabá e Atlético-MG, em 2022.
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