Corinthians confirma demissão após erro grave; decisão de Stabile
Antes mesmo de o relógio virar o dia no Parque São Jorge, a movimentação já era intensa. O espaço reservado apenas para funcionários virou palco de um vai-e-vem nada comum, e a sensação era de que alguma bomba interna estava prestes a estourar. Minutos depois, a confirmação: a diretoria do Corinthians tomou uma decisão dura e imediata.
Demissão imediata após flagrante interno
O Corinthians confirmou a demissão do funcionário flagrado vendendo irregularmente camisas oficiais do clube, decisão que será oficializada nesta terça-feira (18). A medida veio após o relatório da auditoria interna apontar um esquema clandestino de comercialização de materiais fornecidos pela Nike.
Segundo o documento, a auditoria recebeu uma denúncia durante os trabalhos e decidiu testar a veracidade das informações. O resultado foi explícito:
foram compradas três camisas originais, em transações realizadas via PIX diretamente para a conta do funcionário acusado.
O que diz o relatório da auditoria
A investigação interna detalha que:
- Em 11 de outubro de 2025, auditores compraram duas camisas por R$ 150 cada, totalizando R$ 300, comprovando que o dinheiro caía na conta do funcionário.
- Em 13 de outubro, nova compra, dessa vez das peças da coleção 2025 (modelo roxo), reforçou os indícios.
- As três camisas foram analisadas e confirmadas como originais e pertencentes ao clube.
O relatório é categórico ao afirmar que houve comercialização indevida, participação direta do funcionário e que a atividade ilícita ocorreu dentro das dependências do Corinthians.
Um trecho destacado diz: “Devido à gravidade dos indícios (…) o Presidente Osmar Stabile foi informado imediatamente e acompanhou pessoalmente a apuração preliminar.”
O funcionário, ao ser confrontado, confessou o esquema.
Stabile se posicionou
Em nota divulgada na segunda-feira (17), o presidente Osmar Stabile confirmou ter encaminhado o relatório ao Conselho Deliberativo: “Entreguei o relatório à Presidência do Conselho Deliberativo, solicitando análise e apuração dos fatos.”
O dirigente reforçou que a auditoria foi aberta por determinação direta dele, realizada entre setembro e outubro de 2025 nos almoxarifados do CT Dr. Joaquim Grava e do Parque São Jorge.
Números que chamaram atenção
Além do caso da venda ilegal das camisas, o relatório apontou:
- Aumento de 24% no volume de peças recebidas da Nike entre 2024 e 2025, chegando a 41.963 itens.
- R$ 6,4 milhões em notas fiscais que não foram lançadas no sistema no mesmo período.
- 131 itens retirados pelo 2º vice-presidente Armando Mendonça entre junho e outubro de 2025.
- Relatos de atos de intimidação e assédio moral envolvendo membros da diretoria.
- Falhas graves na gestão de estoque: mesmo após o pedido de 17 mil itens em janeiro, não havia a camisa principal disponível em setembro para o jogo contra o Fluminense.
Bastidores pegando fogo no Parque São Jorge
O clima interno, que já era tenso, agora ferve. A confirmação da demissão cria um efeito dominó: abre portas para novas investigações, aumenta a pressão sobre a diretoria e reforça a necessidade de reorganizar o setor de materiais, historicamente um ponto sensível no clube.
A sensação entre conselheiros e funcionários é de que este foi apenas o primeiro passo de uma grande limpeza interna promovida por Stabile.
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