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Auditoria no Corinthians revela novos problemas internos no clube

Uma auditoria interna realizada no Corinthians revelou graves problemas na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike, principal patrocinadora do clube. O relatório, entregue à presidência do clube, apontou um aumento de 24% na quantidade de itens recebidos entre 2024 e 2025, totalizando 41.963 peças, além de R$ 6,4 milhões em notas fiscais não lançadas no sistema, e revelou também a comercialização irregular de uniformes oficiais dentro das dependências do clube.

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em setembro de 2025, quando o Corinthians precisou alterar a cor da camisa usada em uma partida contra o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro. Embora estivesse previsto o uso do uniforme principal branco, a falta de estoque levou o clube a negociar com o Fluminense para utilizar os segundos uniformes, uma situação inédita motivada pela falha no planejamento de estoque.

Outras irregularidades encontradas no Corinthians

O relatório detalha ainda diversas falhas e irregularidades no controle dos materiais. Foi registrada a aquisição paralela de 13.503 itens licenciados, que custaram R$ 776 mil ao clube, além de detectarem condições precárias no almoxarifado e a ausência de inventário oficial desde 2021. Ainda foram apontadas movimentações não autorizadas de materiais por parte de dirigentes, especialmente com uniformes destinados para uso interno da diretoria, contabilizando até 11 camisas por jogo, o que poderia ultrapassar 700 peças por ano.

Além disso, a auditoria identificou práticas irregulares envolvendo um funcionário do clube que vendia uniformes dentro das instalações do Corinthians. A situação foi confirmada após a compra de peças originais do clube, e levou à comunicação imediata das autoridades internas, que começaram uma apuração detalhada para responsabilização e aplicação de medidas administrativas.

Outro ponto preocupante foi a denúncia de “condutas inadequadas” e assédio moral direcionado à equipe de auditores, incluindo ameaças e tentativas de interferência na independência técnica dos trabalhos, especialmente por parte do vice-presidente do clube, Armando Mendonça. O relatório cita reuniões em que a postura e comportamentos do dirigente geraram constrangimento e interferências nas investigações.

Em resposta às denúncias, Mendoça negou envolvimento em manipulações e afirmou que, desde junho de 2025, tem buscado implementar maior transparência e controles mais rigorosos no gerenciamento dos materiais. Ele destacou que sua função se limita à autorização de pedidos extras e que houve discordâncias normais de gestão, negando práticas inadequadas ou falta de respeito.

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