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Projeto quer transformar a torcida em “dona” do Corinthians; entenda

O Corinthians enfrenta uma dívida avaliada em cerca de R$ 2,5 bilhões e busca alternativas para sua reestruturação financeira. Uma das propostas que ganhou força é a criação de uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), mas com um modelo diferenciado, no qual a própria torcida do clube, a Fiel, teria participação e controle significativo no futuro do Timão.

Essa iniciativa, chamada SAFiel, começou a ser estruturada em fevereiro de 2025 por empresários corinthianos, liderados por Carlos Teixeira, Mauricio Chamati, Eduardo Salusse e Lucas Brasil. A ideia é uma SAF democrática, na qual o clube, através do Parque São Jorge, aportaria suas propriedades e dívidas, enquanto a SAF assumiria a responsabilidade pelo pagamento dos débitos e injetaria novos investimentos. A propriedade seria dividida entre o clube e a torcida, representada juridicamente pela Invasão S.A.

A gestão do Corinthians nesse modelo seria inovadora, organizada por quatro conselhos (Administrativo, Fiscal, Cultural e de Governança), cujos integrantes seriam escolhidos por votação dos torcedores acionistas. Esses conselhos selecionariam um CEO, responsável pela administração de acordo com regras estatutárias da SAF. O projeto prevê, ainda, diferentes categorias de acionistas: a base popular, com direito a voto e limite máximo de participação individual para evitar concentração, e outra classe sem direito a voto, com maior liquidez e possibilidade de venda da participação em até cinco anos, em caso de um IPO (Oferta Pública Inicial).

Modelo cogitado no Corinthians já é usado em outros lugares

Esse formato inspira-se em exemplos internacionais, como o Green Bay Packers, da NFL, onde a torcida é acionista e tem papel ativo na gestão do clube. A SAFiel propõe dar autonomia e voz à torcida, sem que o clube fique nas mãos de um único dono ou grupo, o que tem sido ponto de resistência para muitos corinthianos.

O projeto está em fase de ajustes finais e terá sua apresentação oficial ao Conselho Deliberativo do Corinthians no dia 28 de outubro de 2025. Os idealizadores têm buscado o apoio das torcidas organizadas para ampliar a adesão e legitimar a proposta, demonstrando que a transformação do Corinthians em uma SAF democrática pode ser o caminho para a sustentabilidade financeira e a modernização administrativa do clube.

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